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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Tucano rompe ciclo de solidão.Matéria publicada no Estadão em maio de 2010,vale a pena ler outra vez.


"Depois de forçar sua indicação e perder eleições em 2006 e 2008,Alckmin se reaproxima do partido e tem chance de recuperar espaço"


Mais do que uma vitória nas urnas para governar São Paulo, o que está em jogo para o pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, nesta eleição é a reafirmação de sua liderança no partido, após uma história recente de intrigas, disputas e desgastes.


O retorno ao Palácio dos Bandeirantes, especialmente num eventual contexto de vitória de José Serra à Presidência, pode abrir para Alckmin uma porta para o cenário político nacional, avaliam tucanos. A primeira chance após a tentativa atabalhoada de 2006.

Até há pouco mais de um ano, Alckmin estava às voltas com um isolamento dentro da própria sigla. Resultado de dois episódios que lhe custaram caro. O primeiro, em 2006, quando ele, investido do cargo de governador do maior Estado do País, travou uma briga de forças com José Serra para ser o postulante tucano à Presidência. Alckmin conseguiu a vaga, mas, com o partido rachado, não levou a eleição. A derrota teve um gosto ainda mais amargo ao constatar que, em São Paulo, seu eleitorado minguara no segundo turno, como em todo Brasil.

Aulas. Dois anos depois, já na tentativa de recuperar espaço, Alckmin se colocou como candidato à prefeitura paulista, mais uma vez à custa de muita disputa no PSDB e contrariando um projeto de Serra, que era reeleger seu afilhado político, Gilberto Kassab (DEM). Alckmin foi derrotado no primeiro turno com a ajuda de parte do próprio partido. Mais isolado, submergiu. Voltou a ser médico e a dar aulas.

A possibilidade de dar a volta por cima se apresentou no início de 2009, quando Serra, ciente de que somente com o partido pacificado teria possibilidade de vitória em 2010 à Presidência, o convidou para ser secretário de Desenvolvimento. Alckmin, que havia governado o Estado por 6 anos, aceitou.

"Sabíamos que aquela aliança era uma oportunidade especial para reconciliar o partido e para o Geraldo se reaproximar de Serra", conta o deputado Silvio Torres. "O partido precisava dessa união", lembra o presidente nacional do PSDB, senador Sergio Guerra.

Na visão de alckmistas e serristas, o ex-governador percebeu que não poderia cometer o mesmo erro das últimas eleições ao tentar à força uma postulação. A decisão sobre quem seria candidato ao governo pertenceria somente a Serra.

"Ele mudou, foi humilde, amadureceu com as derrotas. Passou a ouvir mais, a costurar alianças", avalia um interlocutor próximo de Serra. A imagem de político do interior, entretanto, permanece, mantendo Alckmin um tanto deslocado no tucanato. O estilo simples - herdado, em parte, de Mário Covas - contrasta com o de figuras mais cosmopolitas como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e José Serra. O fato já foi mencionado muitas vezes em tom de crítica a Alckmin, mas hoje parece menos latente no partido.

Nos 14 meses em que esteve no governo Serra, Alckmin foi lembrado por amigos de que não era o número 1 do governador para a sucessão. Ouviu até que, na melhor hipótese, estava em quinto na lista e que a única chance de ser indicado era manter os bons números nas pesquisas eleitorais - que hoje põem Alckmin na liderança.

Visibilidade. O cargo de secretário foi fundamental para o ex-governador construir esse caminho. Em viagens para inaugurar ou anunciar obras, ele voltou a ter visibilidade na mídia regional e reaproximou-se de prefeitos, parlamentares e dos que cercavam Serra.

"Hoje eu vejo o Geraldo mais focado, disciplinado e cuidadoso. Ele está se dedicando pessoalmente na construção das alianças para a eleição e para governar", afirma o coordenador da campanha do tucano, deputado Sidney Beraldo.

Os mais otimistas dizem que, caso faça uma gestão bem-sucedida, Alckmin tem potencial para voltar à fila de presidenciáveis do PSDB. Mas ponderam: são planos para a partir de 2018, quando terá a idade de Serra hoje.

Silvia Amorim - O Estado de S.Paulo

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