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quarta-feira, 16 de junho de 2010

O canal de Dilma

Lula ontem estava cheio de fazer confissões. Já nem digo que é sem querer porque ele está naquela fase em que está convicto de que não precisa ter limites.

Tudo lhe é permitido. Além de culpar os oposicionistas por dossiês que os petistas fazem contra os oposicionistas (a gente escreve e se dá conta da enormidade!!!), ele também resolveu atacar a imprensa, que, parece, não seria petista o suficiente (imaginem se fosse). E mandou ver:
“É importante a gente começar a ficar esperto. (…) Quando se trata de campanha, é preciso que a imprensa seja neutra ou, no mínimo, diga que tem candidato para a gente saber quem é quem. Porque aí nós vamos mudar de canal pra ver o canal da nossa candidata.”

Então existe o canal — quiçá “canais” — da candidata, certo? Esta é a estratégia mais bem-sucedida posta em prática pelo PT desde que chegou ao poder — a rigor, data de antes, do tempo da oposição: dizer-se perseguido pela “mídia”. A aposta é que a tal “mídia” vá procurar provar o contrário. Sabem qual é o resultado? Quase sempre isso acontece.

A estratégia se tornou mais evidente no escândalo do mensalão, quando o PT saiu acusando “golpe” da imprensa. Lula repetiu essa patacoada ontem. O partido fez o mesmo no dossiê dos aloprados: achou um absurdo a exibição da montanha de dinheiro pega com um assessor de Aloizio Mercadante.

Considerou que era perseguição. Essa conversa mole é antiga entre petistas. Eles chegaram a inventar a fantasia de que Lula só perdeu a eleição em 1989 porque a Globo teria manipulado a edição de um debate. Besteira! Collor, agora convertido ao lulismo, trucidou Lula naquele encontro. Mas restou o mito, com o qual se fabricaram depois uma penca de outras mentiras.
Por Reinaldo Azevedo,
Da Veja.com

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