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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Confira todos os secretários, na ordem em que foram anunciados por Alckmin


O governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), concluiu na manhã desta quinta-feira (30) o anúncio dos 26 secretários que irão integrar sua equipe de governo. Os quatro primeiros nomes foram divulgados no dia 16 de novembro. Os 26 secretários tomam posse junto com o governador, no próximo sábado (1º).



Casa Civil - Sidney Beraldo
Formado em administração de Empresas e pós-graduado em Gestão Empresarial. Iniciou a vida pública como vereador (1977-82) e prefeito de São João da Boa Vista (1983/88). Em 1994, elegeu-se deputado estadual pelo PSDB, cargo para o qual foi reeleito em 1998, 2002 e 2006. Foi presidente da Assembleia Legislativa (2003/2005), eleito por unanimidade. Na casa, também exerceu as funções de líder da Bancada do PSDB, líder do Governo Mario Covas e a presidência das Comissões de Cultura, Ciência e Tecnologia e Economia e Planejamento.Foi relator dos projetos de renegociação da dívida do Estado, Programa Estadual de Incentivo ao Desenvolvimento,Regularização de Mananciais e Privatização das Energéticas. Presidiu o Diretório Estadual do PSDB até dezembro de 2006. De janeiro de 2007 a abril de 2010, foi Secretário Estadual de Gestão Pública. Desligou-se do cargo para assumir a coordenação-geral da campanha de Geraldo Alckmin ao governo do Estado.


Casa Militar – Coronel Admir Gervásio
O coronel Admir Gervásio Moreira, que é bacharel em Ciências Jurídicas, ingressou na Polícia Militar em setembro de 1975. Exerceu as funções chefe da 3ª seção do Estado Maior, foi comandante do policiamento na zona norte na capital paulista e exerceu também o cargo de comandante do Policiamento Metropolitano de São Paulo. Desde maio de 2010, desempenha a função de corregedor da PM. Foi soldado e realizou os cursos de Formação de Oficiais e Superior de Polícia.


Direitos da Pessoa com Deficiência – Linamara Rizzo Battistella
Atual titular da secretaria, foi diretora do Instituto de Medicina de Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (IMREA) por mais de 20 anos, antes de ser nomeada Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, em 2008. Linamara Rizzo Battistella é médica fisiatra e professora da Faculdade de Medicina da USP. Possui Doutorado e Livre Docência em Fisiatria, sendo responsável por Disciplinas na Graduação e Pós Graduação Médica. É coordenadora do Grupo de Trabalho do Comitê de Humanização do Hospital das Clínicas de São Paulo.


Saúde – Giovanni Guido Cerri
Atual diretor da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), cargo que já exerceu entre 2002 e 2006, é também atual presidente dos Conselhos Diretores do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo e do Instituto de Radiologia do HC. e presidente do Conselho Deliberativo do Hospital das Clínicas. Médico radiologista, possui Doutorado e Livre Docência pela FMUSP e é professor titular da instituição.


Desenvolvimento - Guilherme Afif Domingos
É o vice-governador eleito na chapa de Geraldo Alckmin. Afif presidiu a Associação Comercial de São Paulo duas vezes e foi deputado federal constituinte. Formado em administração de empresas pela Faculdade de Economia do Colégio São Luís, presidiu o Banco de Desenvolvimento do Estado de São Paulo (Badesp) em 1976, e foi presidente do conselho do SEBRAE em 1995. Foi secretário estadual de Agricultura e Abastecimento (1980) e secretário estadual de Emprego e Relações do Trabalho (2007-2010).


Transporte e Logística - Saulo de Castro Abreu Filho
Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), atuou como professor na mesma universidade. Depois de assumir várias comarcas em cidades do interior e da Grande São Paulo, passou a titular do 1º Tribunal do Júri da Capital. Foi Corregedor Geral da Administração do Governo do Estado de São Paulo (1995-2000), presidente da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem), atual Fundação Casa (2001), e Secretário da Segurança Pública (2002-2006).


Transportes Metropolitanos - Jurandir Fernandes
É formado em engenharia pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e mestre e doutor em engenharia elétrica pela Unicamp. Entre 1993 e 1996, foi Secretário dos Transportes de Campinas e em 1999 foi diretor de planejamento da Dersa. No ano seguinte, foi diretor do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito). Na gestão Alckmin, entre 2001 e 2006, Fernandes foi o secretário estadual de Transportes Metropolitanos. Foi presidente da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) entre 2001 e 2005. Entre 2007 e 2009, foi presidente da Emplasa (Empresa Metropolitana de Planejamento).


Fazenda - Andrea Sandro Calabi
Foi secretário de Economia e Planejamento na gestão Alckmin (2003-2005), presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (1999-2000) do Banco do Brasil (1999) e do Ipea (1985-1986 e 1995 a 1996). Foi chefe da Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda e secretário-executivo do MInistério do Planejamento. Nascido em São Paulo, é PhD em Economia na Universidade da Califórnia. É formado em economia pela FEA-USP e concluiu mestrado em economia pelo IPE-USP.


Procuradoria Geral do Estado - Elival da Silva Ramos
Chefiou a Procuradoria Geral do Estado entre 2001 e 2006 durante as gestões Alckmin e Lembo. É bacharel, mestre, doutor e livre-docente em direito pela Universidade de São Paulo, onde atua como professor titular de direito constitucional. Também leciona em cursos de especialização da Escola Superior do Ministério Público, da Escola Paulista de Magistratura, da Escola Superior da Procuradoria Geral do Estado e da Escola Superior de Direito Constitucional. Publicou cinco livros, todos de direito constitucional.


Planejamento - Emanuel Fernandes
Foi secretário de Habitação na gestão Alckmin entre 2005 e 2006. Foi deputado federal reeleito em São Paulo. Foi prefeito de São José dos Campos, no Vale do Paraíba entre 1997 e 2000 e entre 2001 e 2004. É formado em engenharia aeronáutica pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica, fez mestrado em análise de sistemas e é funcionário do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), onde trabalhou no programa espacial brasileiro.


Administração Penitenciária - Lourival Gomes
Bacharel em Direito, Lourival Gomes dirige a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). Ele foi secretário adjunto da mesma pasta desde 2006. Também foi integrante da Coordenadoria dos Estabelecimentos Penitenciários do Estado (Coespe) entre 1993 e 2000 e foi diretor da Casa de Detenção Professor Flamínio Fávero. Foi professor da Escola de Administração Penitenciária, nas disciplinas Lei de Execução Penal, noções de Direito Penal e controle de crieses. Participou do Conselho Penitenciário do Estado e do Conselho Estadual de Política Criminal e Penitenciária.


Segurança Pública - Antônio Ferreira Pinto
Procurador de Justiça, Antônio Ferreira Pinto dirige a Secretaria da Segurança Pública. Ele começou a carreira no serviço público em 1964 como policial militar em Bauru, no interior de São Paulo, promotor de justiça na área criminal, e secretário adjunto da Secretaria da Administração Penitenciiária de abril de 1993 a julho de 1995. Em 1998, foi promovido a Procurador de Justiça.


Justiça - Eloisa de Souza Arruda
Procuradora de Justiça, é diretora da Escola Superior do Ministério Público (ESMP). Foi promotora do Tribunal Penal Especial de Timor Leste. Graduada em direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), é mestre e doutora em direito penal pela mesma instituição. Ingressou no Ministério Público em 1985.


Educação - Herman Jacobus Cornelis Voorwald
Nascido em Rio Claro, tem 55 anos. É reitor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) desde janeiro de 2009. Professor titular do Departamento de Materiais e Tecnologia da Unesp, ele é membro do Conselho Superior da Fapesp. Concluiu o mestrado no ITA, o doutorado na Unicamp e o pós-doutorado em uma instituição da Bélgica.


Habitação - Silvio Torres
Nascido em São José do Rio Pardo, é empresário e formado em ciências sociais e jornalismo. Foi prefeito de Rio Pardo entre 1983 e 1988, deputado estadual e quatro vezes deputado federal. Também presidiu o PSDB em São Paulo entre 1995 e 1996.


Emprego e Relações do Trabalho - Davi Zaia
Deputado estadual reeleito para um segundo mandato, Zaia é formado em Filosofia pela PUC-Campinas e possui especialização em Economia do Trabalho pela Unicamp. Foi presidente do Sindicato dos Bancários de Campinas, da Federação dos Bancários de São Paulo e Mato Grosso do Sul e membro do conselho de administração do Banco Nossa Caixa, eleito pelo corpo de funcionários. Em 1992, foi presidente do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). É presidente estadual do PPS desde 2005.


Meio Ambiente - Bruno Covas
Bruno Covas foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 2006, com apenas 26 anos. Em 2010, reelegeu-se para o cargo com 239.150 votos, tornando-se o deputado mais bem votado no Estado de São Paulo. É membro efetivo da Comissão de Finanças e Orçamento da Assembléia Legislativa. Atualmente, é presidente nacional da Juventude do PSDB. Natural de Santos, cidade de seu avô Mario Covas, é advogado formado pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP), economista pela PUC-SP e mestrando em Administração Pública e Governo, com foco em Finanças, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).


Turismo - Márcio França
Márcio França, natural de Santos, foi prefeito da cidade de São Vicente por dois mandatos consecutivos (1997/2004). Em 2006, foi eleito pela primeira vez para o cargo de deputado federal e, logo em seguida, assumiu a liderança do PSB na Câmara dos Deputados. Em 2010, foi reeleito deputado federal. Atualmente, é presidente do PSB no Estado de São Paulo. Filiado ao partido desde 1988, Márcio França também é Secretário Nacional de Finanças do PSB. É formado em Direito pela Universidade Católica de Santos


Saneamento e Recursos Hídricos - Edson Giriboni
Edson Giriboni foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 2006 e reeleito em 2010. Atualmente, é vice-presidente da Comissão de Finanças e Orçamento. Ex-presidente Comissão de Economia e Planejamento, foi membro efetivo da Comissão de Transportes e Comunicações. Foi vice-prefeito de Itapetininga por dois mandatos (1989-1992/2001-2004 - PV) e engenheiro da Ferrovia Paulista S/A (Fepasa) entre 1977 e 1999, sendo superintendente entre 1994 e 1999. É formado em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da USP e Administração de Empresas pela Associação de Ensino de Itapetininga, cidade onde nasceu.


Cultura - Andrea Matarazzo
É administrador de empresas. No setor público, ocupou o cargo de secretário de Coordenação das Subprefeituras de São Paulo entre 2007 e 2009. Foi subprefeito da Sé (2005/2007) e secretário municipal de Serviços de 2005 a 2006. Exerceu o cargo de embaixador do Brasil na Itália (2001/2002) e ministro-chefe da Secretaria de Comunicação de Governo da Presidência da República (1999/2001). Já ocupou, entre outros, os seguintes cargos: secretário de Energia do governo do estado de São Paulo (1998), presidente da Companhia Energética de São Paulo – CESP (1995/1998), secretário de Política Industrial do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo (1992/1993) e assessor especial do Ministério da Educação e Cultura (1991/1992).


Esportes - Jorge Pagura
Médico especialista em neurocirurgia, concluiu o doutorado na área em 1983 na Escola Paulista de Medicina (Unifesp). Desde 1990 é professor titular de neurologia e neurocirurgia da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC e atualmente exerce suas atividades no Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital São Luiz, Hospital Santa Paula e Hospital Paulistano. Desde 1996, chefia o serviço de neurocirurgia do Hospital Mario Covas, da Faculdade de Medicina do ABC, em Santo André. Entre 1998 e 2000, foi secretário da Saúde da prefeitura da capital. Em 1999, foi eleito membro presidente da Associação dos Clubes Esportivos e Culturais de São Paulo (ACESC). Desde 2004 é diretor da Confederação Brasileira de Esportes Aquáticos (CBDA). Em 2009, foi eleito membro da Confederação Sul-americana de Natação e membro do Comitê Técnico de pólo aquático da Federação Internacional de Natação. Em 2010, foi nomeado diretor de assuntos médicos da Federação Paulista de Futebol. Chefiou delegações brasileiras de pólo aquático em diversas competições internacionais.


Assistência e Desenvolvimento Social - Paulo Alexandre Barbosa
Deputado estadual reeleito em 2010, sendo o segundo mais votado no estado. Foi secretário-adjunto da Secretaria da Educação na gestão Geraldo Alckmin, quando foi responsável pela implantação do Programa Escola da Família. Natural de Santos, é formado em direito pela Universidade Metropolitana de Santos. Foi assessor na Secretaria de Estado da Juventude, Esporte e Lazer e, em 2002, ocupou o posto de assessor especial do secretário estadual da Educação. No mesmo ano, foi diretor de Projetos Especiais da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE).


Edson Aparecido
Desenvolvimento e Gestão Metropolitana - Edson Aparecido
Deputado federal reeleito em 2010, é formado em história pela PUC-SP. Nascido na Zona Leste da capital, iniciou sua vida política na década de 70 no movimento estudantil. Exerceu mandato de deputado estadual por duas legislaturas (1998/2006), quando foi líder do governo na gestão Geraldo Alckmin. É um dos fundadores do PSDB. Foi assessor do ministro Sérgio Motta. Atuou na coordenação das campanhas de Mario Covas, Geraldo Alckmin e José Serra. Também presidiu os diretórios estadual e municipal do PSDB de São Paulo. Atualmente, é vice-presidente nacional do PSDB.


Agricultura - João Sampaio Filho Atual secretário, é formado em economia pela Faculdade Álvares Penteado (Faap). Foi presidente da Sociedade Rural Brasileira, entre 2002 e 2007. Ocupou os seguintes cargos:presidente da Associação dos Produtores de Borracha de Mato Grosso 1994 e 1998; presidente da Comissão Nacional da Borracha da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) entre os anos 1996 e 2002; vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo; vice-presidente da Associação Paulista dos Produtores de Borracha e conselheiro da Associação Brasileira do Agronegócio de Ribeirão Preto


Energia - José Aníbal Deputado federal reeleito em 2010 para o quinto mandato, foi líder do PSDB da Câmara dos Deputados quatro vezes, presidente nacional do PSDB e presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal. Também foi vereador e líder do governo na Câmara Municipal. Foi secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico nos governos Mario Covas e Geraldo Alckmin. Foi coordenador do programa de governo de Alckmin. É economista, formado pela Sorbonne, na França.


Gestão Pública - Júlio Semeghini Engenheiro formado pela Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), atua no setor de informática e telecomunicações há mais de 25 anos. Deputado federal, foi reeleito este ano para seu quarto mandato. Ocupou a presidência da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp) na gestão Mario Covas. Também presidiu a Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados.

domingo, 26 de dezembro de 2010

CONGRESSO FAZ CORTE NA ÁREA SOCIAL PARA FINANCIAR TURISMO

Verbas para urbanização de favelas e erradicação do trabalho infantil foram principal alvo no Orçamento, mostra Contas Abertas

Por: Marta Salomon - O Estado de S.Paulo

O País tem 15,1 milhões de famílias vivendo em favelas, mas as verbas públicas originalmente destinadas à urbanização e à regularização dos chamados "assentamentos precários" estão entre os principais alvos de cortes promovidos por deputados e senadores para financiar gastos maiores em turismo, durante a votação no Orçamento da União para 2011.

Levantamento feito pela ONG Contas Abertas detalha os programas que encolheram para dar espaço às emendas parlamentares. A lista dos programas de governo que foram ao sacrifício é encabeçada pelos investimentos em ciência e tecnologia, que deveriam melhorar a competitividade da indústria brasileira e incluíam a instalação de laboratórios de nanotecnologia, por exemplo.

Dos pouco mais de R$ 3 bilhões previstos originalmente, a autorização de gastos do programa no ano que vem minguou para R$ 2,6 bilhões. A lista de cortes inclui o programa de erradicação do trabalho infantil, embora dados oficiais mais recentes ainda registrem quase 1 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 13 anos trabalhando.

O programa que mais ganhou verbas dos deputados e senadores leva o nome de Turismo Social no Brasil, uma Viagem de Inclusão. Na passagem do Orçamento pelo Congresso, as autorizações de gastos para 2011 mais do que quadruplicaram, ao passarem de R$ 614 milhões para R$ 2,7 bilhões.

Sem constrangimento. As regras de discussão e votação do Orçamento do Congresso poupam deputados e senadores do constrangimento de apontar publicamente a origem dos recursos para cada uma de suas emendas individuais. Essa indicação é obrigatória apenas para parte das emendas apresentadas por bancadas estaduais ou comissões temáticas do Congresso.

Mas a origem dos recursos aparece no levantamento do Contas Abertas. A revisão da expectativa de arrecadação de tributos e cortes em vários programas bancam as emendas dos parlamentares, que destinam dinheiro público de acordo com seus interesses e de suas bases políticas.

Questionada sobre o corte de programas relevantes, a relatora do Orçamento, Serys Slhessarenko (PT-MT) esquivou-se da responsabilidade. "Eu não cortei, tem de ver quem cortou, não fui eu." No caso do programa de erradicação do trabalho infantil, o corte foi feito pela comissão setorial do Orçamento. "Eu assumo os relatórios setoriais, mas não posso fazer nada", insistiu a relatora.

Entre os programas que mais encolheram entre a proposta original do Orçamento encaminhada pelo governo ao Congresso e o relatório final está pelo menos uma obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC): a transposição do Rio São Francisco perdeu 13% das autorizações de gasto propostas pelo governo.

Saneamento. A oferta de saneamento em municípios com até 30 mil habitantes entrou na lista dos cortes e contribui com R$ 156 milhões para financiar emendas de interesse dos parlamentares. O valor é menor do que o cortado do programa de qualidade ambiental, que financiará a modernização do processo de licenciamento ambiental e ações de combate aos efeitos do aquecimento global com R$ 200 milhões a menos do que sua previsão original de gastos.

A lista de cortes inclui ainda o programa de segurança de voo e controle do espaço aéreo, do Ministério da Defesa. Cortes nesse programa foram ingrediente da crise dos controladores de voo, deflagrada no fim de 2006, depois da queda de um avião da Gol, que se chocara com um jato da Embraer.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

PSDB APRESENTA TRÊS NOMES PARA LIDERANÇA DA CÂMARA

Uma reunião nesta quinta-feira (9) entre a bancada de deputados do PSDB definiu três nomes para a disputa da liderança do partido da Câmara a partir do ano que vem: Otávio Leite (RJ), Duarte Nogueira (SP) e Paulo Abi Ackel (MG).

A eleição está marcada para 26 de janeiro, segundo o atual líder, João Almeida (BA). O favorito para ocupar o cargo é o deputado reeleito Duarte Nogueira, que abriu mão do cargo em fevereiro deste ano para dar preferência a Almeida.

Em conversa com a imprensa, o líder criticou a formação de blocos entre deputados e se posicionou a favor de que o PT assuma a presidência da Câmara. Almeida não acredita na possibilidade de PT e PMDB lançarem cada um seu candidato para a disputa o que, para ele, seria um “completo desatino”.

- Não tem cabimento turvar o resultado da urna com formação de blocos. Nas democracias mais avançadas nem há discussão disso e nós sempre apoiamos a ideia que o maior partido deve indicar o presidente.

Almeida criticou os nomes até agora anunciados pela presidente eleita Dilma Rousseff para seu ministério e ironizou a relação dos membros escolhidos com o governo Lula.

- Nada surpreende. E eu estou até imaginando que a qualquer hora a presidente Dilma possa confirmar o presidente Lula. É um governo todo vinculado ao presidente Lula e aos seus compromissos.


O deputado negou que o PSDB esteja discutindo uma “refundação” do partido e disse que a hora é de fortalecimento.

- Temos que retomar as convenções municipais regularmente. [...] Isso que dá unidade ao partido. Nenhum partido resiste nem cresce se transforma-se em uma agência eleitoral, em que as pessoas se inscrevem no partido para ser candidato.

Fonte: Priscilla Mendes - R7

CARTA DE FERNANDO HENRIQUE CARDOSO ENVIADA AO JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO


Calúnias
Li com espanto a entrevista do sr. Gilberto Carvalho publicada neste jornal na edição de domingo passado (“Ninguém engana a Dilma nem põe faca no pescoço dela”, 5/12, A10). Espanto porque imaginei que o entrevistado devesse estar mais preocupado em se defender de insinuações que podem manchar a sua biografia ─ a de haver sido receptador de propinas extorquidas por um bando de seus companheiros de partido que teriam usado a administração petista de Santo André para obter recursos para uso político, como afirmam procuradores estaduais ─ do que em dar curso a calúnias contra mim.

Lula, segundo o entrevistado, recusa o termo “mensalão” para caracterizar os desatinos praticados nas relações entre seu governo e a Câmara dos Deputados, quando da alegada compra de apoios políticos. Na verdade, trata-se de mero jogo de palavras para negar a periodicidade da propina, e não sua existência. Artifício semelhante a outro ─ este com consequências jurídicas maiores ─ quando afirmou que o dinheiro utilizado naquelas práticas teria sido obtido de “sobras de campanha”, esquecendo-se de que houve transações entre poder público e agentes privados como no caso da Visanet.

Para melhorar a imagem presidencial, Gilberto Carvalho diz que Lula, ao negar que seu governo tenha comprado votos, me acusa nominalmente de tê-lo feito para aprovar a emenda da reeleição. Ora, jamais houve qualquer indício nem qualquer afirmação direta de que eu assim procedera. Mais ainda, os rumores sobre uma escuta telefônica feita entre deputados de um Estado que estariam envolvidos em tais práticas aberrantes surgiram num jornal meses depois de aprovada a referida emenda, com votação avassaladora ─ 80% no Senado e margem de mais de 20 votos acima dos 308 requeridos na Câmara.

No caso, a referida escuta teria feito alusão ao primeiro nome de um de meus ministros. Para evitar dúvidas o ministro eventualmente aludido foi, por decisão própria, à Comissão de Justiça da Câmara, prestou todos os esclarecimentos e desafiou quem dissesse o contrário da verdade, que era sua inocência. Posteriormente, três ou quatro deputados ─ mais tarde ligados à base do governo Lula ─ renunciaram a seus mandatos para evitar cassações, confessando culpa, mas sem qualquer envolvimento do PSDB e muito menos do governo ou meu.

Se não fosse o suficiente ser um procedimento contrário à ética, mesmo em termos pragmáticos, seria de todo descabido comprar o que era, explicitamente, oferecido: a opinião pública, os editoriais de toda a mídia e a maioria avassaladora do Congresso Nacional eram favoráveis à emenda da reeleição, contra a qual se batiam isoladamente o PT e os “malufistas”, pela razão de haver nessas correntes quem quisesse disputar as eleições presidenciais e temesse minha força eleitoral, comprovada na reeleição em primeiro turno em 1998. Estes são os fatos.

Custa-me a crer que Lula, para se defender do indefensável no caso do mensalão, ataque a honra de um ex-presidente que foi seu amigo nas horas difíceis e que não usa de artimanhas para desacreditar adversários. Dói mais ainda que pessoas como Gilberto Carvalho ecoem o sabidamente falso para endeusar o chefe. Sinal dos tempos, que arrastam mesmo os que parecem ser melhores a cair na calúnia, na mesquinharia e na mediocridade.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

BANCADA DO PSDB VAI DISCUTIR ESTRATÉGIAS PARA A PROXIMA LEGISLATURA

DEPUTADOS SE ENCONTRAM NO PROXIMO DIA 9 DE DEZEMBRO EM BRASILIA.


A Liderança do PSDB na Câmara dos Deputados reúne no próximo dia 9 de dezembro a atual bancada do partido e os deputados eleitos para a próxima legislatura. O atual líder tucano na Casa, João Almeida (BA), informa que o encontro no Hotel Brasília Palace, das 9h às 16h, será para a apresentação dos parlamentares e discussão de estratégias de atuação na próxima legislatura.

“O primeiro objetivo é o entrosamento da bancada. A reunião permitirá conhecermos uns aos outros e o perfil de cada um. O segundo objetivo é buscar o alinhamento do ponto de vista político, discutir as metas para o próximo ano e a ação da bancada, que terá a importante missão de exercer a liderança da oposição na Câmara dos Deputados”, explicou Almeida. Além desses assuntos, na parte da manhã os tucanos analisarão a atual conjuntura política.

À tarde, os parlamentares debaterão o Estatuto da Bancada. De acordo com o líder tucano, a ideia é atualizar o texto, colher sugestões, debatê-las e aprová-las. Há possibilidade de emendas ao Estatuto, apresentação de novas ideias, inclusive aquelas já discutidas em outras oportunidades, mas que não foram consolidadas. “A ideia é fazer um estatuto que todos conheçam, aprovem e que vá ser aplicado”, explicou Almeida. Na reunião, ainda serão discutidas a formação da Mesa Diretora, das Comissões e de Blocos na Câmara, além da escolha da data de eleição do líder do PSDB na Casa em 2011.

A atual bancada tucana tem 58 integrantes em exercício, a terceira maior da Câmara. Em outubro, o PSDB elegeu 53 deputados federais. Desses, 28 se reelegeram e outros 25 exercerão o mandato pela primeira vez ou retornarão ao órgão do Poder Legislativo. Com o resultado obtido nas urnas, o partido continuará como a terceira maior bancada na 54ª Legislatura (2011-2015), atrás apenas de PT (88) e PMDB (79).

Fonte: Diário Tucano

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

SÉRGIO GUERRA TENTA ENCERRAR CRISE INTERNA DO PSDB

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), teve que entrar em campo hoje para tentar pôr um ponto final no bate-boca público que alimenta a guerra interna entre tucanos de São Paulo e de Minas Gerais. "A grande verdade é que tratar de candidatura presidencial agora é uma ação que agride o bom senso e beira o ridículo", disse Guerra, passando um "pito" nas duas alas que disputam poder no partido.



A tensão entre paulistas e tucanos atingiu seu ponto máximo esta semana, quando o presidente do PSDB de Minas, deputado Narcio Rodrigues, cobrou dos paulistas o respeito à "fila de presidenciáveis" da legenda, onde, a seu ver, o senador eleito Aécio Neves ocupa hoje o primeiro lugar.


Guerra adverte que, em vez de fazer ataques, os tucanos devem se esforçar para que não apenas os líderes, mas também os eleitores dos dois Estados onde se concentra a principal base política do PSDB, caminhem juntos em torno de um projeto nacional.

Em tom ameno, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) admite que é muito cedo para tratar de sucessão e adverte que paulistas e mineiros precisam uns dos outros para chegar ao Palácio do Planalto. Mas lembra que, desde que foi criado em 1988, o PSDB só lançou paulistas à Presidência e que os mineiros entendem que Aécio é o próximo candidato.


"Vão ter que nos engolir", declarou Narcio Rodrigues ao jornal O Estado de S. Paulo ontem, em resposta à entrevista do presidente do PSDB da capital paulistana, José Henrique Reis Lobo, ao Portal do Estadão no final de semana. Na fala de Lobo, Aécio foi citado apenas como um nome em meio ao "conjunto de novas lideranças que emergiu das urnas". Narcio afirmou que não reconhecia autoridade em Lobo para discutir o projeto nacional.


Embora o presidente nacional do partido tenha feito sua intervenção em tom de advertência a todos, esta afirmativa do mineiro mereceu um puxão de orelhas em particular. "O companheiro Lobo é pessoa conhecida no partido, preside o diretório municipal de São Paulo e tem todo o direito de emitir seus pontos de vista", defendeu Guerra, lembrando que também tomara a defesa dos mineiros quando Xico Graziano, que trabalhara na campanha do candidato José Serra, insinuou na rede de microblogs twitter que Aécio era o culpado pela derrota em Minas Gerais.


Antes de Guerra se manifestar, o próprio Lobo redigiu uma nota em resposta a Narcio Rodrigues. Disse aos companheiros que iria pôr panos quentes na fervura da briga, mas abriu o texto de 11 linhas dizendo que o deputado mineiro não leu sua entrevista ao Portal, "ou está querendo um pretexto para polemizar". Afirmou que não há uma palavra sua que possa ser tomada como "desconsideração pelo nome de Aécio Neves como candidato a presidente em 2014", mas deixou claro nas entrelinhas que não raciocina com o conceito da fila de presidenciáveis.


Lobo argumentou que este assunto não estava em pauta e que considera "prematuro" discutir quem será o candidato daqui a quatro anos. Em seguida, afirmou que, "se o nome do senador mineiro vier a ser escolhido, tem certeza de que o PSDB de São Paulo trabalhará sem tréguas para elegê-lo". E arrematou em tom de ironia, dizendo que a expressão "vão ter que nos engolir" não era a "mais elegante para se referir aos paulistas".

Christiane Samarco - Agência Brasil

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

PSDB quer modernizar partido e adotar tom mais critico ao governo

TUCANOS VÃO MONTAR GRUPO DE TRABALHO PARA SE PREPARAR PARA AS CONVENÇÕES DE 2011


O PSDB desencadeará ainda este ano uma ação de reestruturação e modernização do seu programa partidário. O objetivo, segundo o presidente nacional da legenda, senador Sérgio Guerra (PE), é preparar o partido para as convenções municipais, estaduais e nacional que acontecem, respectivamente, em março, abril e maio de 2011.

Um grupo de trabalho foi escalado para coletar sugestões de dirigentes e filiados. O assunto foi um dos temas tratados nesta quinta-feira (18) em reunião da Executiva Nacional. Guerra afirmou que o eleitorado que votou em José Serra nas eleições presidenciais de outubro deixou algumas mensagens, entre elas, a de que deseja que o PSDB seja um partido com melhor identidade, transparência e firmeza.

Guerra afirmou que as bancadas do partido na Câmara dos Deputados e no Senado que assumirão a partir de fevereiro de 2011 terão “posturas mais críticas ao governo” do que sua atuação nos oito anos de mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

- A oposição, quanto menor for, mais incisiva tem que ser e não faltarão vozes para isso.

Nos próximos dias, o comando peessedebista pretende realizar uma reunião ampliada com a participação de parlamentares eleitos, como o senador Aécio Neves (MG), governadores e lideranças nacionais para definir a estratégia de trabalho e colher sugestões iniciais de reformulação partidária.

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, disse que, em um primeiro momento, os tucanos vão desenvolver ações para aumentar o quadro de “filiados ativos” bem como a maior presença partidária nos municípios.

O governador eleito de Alagoas, Teotônio Vilela Filho, por sua vez, pretende reunir, em Maceió, na próxima semana, todos os governadores do PSDB para preparar uma agenda com as demandas dos chefes dos executivos estaduais.

- A ideia é discutir uma agenda de trabalho do partido para o futuro.

O objetivo, acrescentou ele, é fortalecer o caráter programático do PSDB desvinculando-o do calendário eleitoral que apenas reflete um momento da política nacional. O peessedebista alagoano também falou sobre a reedição da CPMF(Contribuição sobre a Movimentação Financeira), um tema sensível aos governadores, uma vez que reforçaria o caixa dos Estados ao delegar à União a aplicação destes recursos na saúde pública.

- Que a saúde ganharia muito [com a CPMF] em Alagoas é uma realidade, mas vou acompanhar a decisão do meu partido.

O comando nacional do PSDB já tem uma posição firmada sobre a reedição da CPMF. Para Sérgio Guerra, esse assunto tem que ser tratado no âmbito de uma reforma tributária e não isoladamente.

Da agência Brasil

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

É hora de agradecer


É hora de agradecer, em nome do PSDB, os votos, a confiança e principalmente o trabalho que todos vocês - candidatos, colaboradores, militantes e simpatizantes - fizeram nas ruas e na internet. Foi com a força de vocês que o PSDB saiu maior, mais forte e mais unido destas eleições de 2010.

Elegemos oito governadores de importantes estados e mantivemos bancadas representativas no Congresso Nacional e nas Assembléias Legislativas. Para presidente e vice, nossas propostas receberam o apoio de 43,7 milhões de brasileiros.

Vocês sabem que nada nesta caminhada foi fácil. E nós sabemos que sem vocês não teríamos força para chegar aonde chegamos. Sabemos também que temos pela frente a tarefa de fazer o nosso partido avançar muito mais na sua organização e na sua integração com a sociedade.

Nunca fomos, e não seremos agora, a favor do quanto pior melhor. Entretanto, as urnas deram ao partido a obrigação de fazer uma oposição forte, sem concessões. E para defender bandeiras como a defesa da liberdade de pensamento e do respeito às leis, nós precisamos, mais do que nunca, da ajuda permanente de vocês.

A luta pela democracia não se faz só em época de eleição, mas todos os dias; em todos os lugares, reais ou virtuais. Para essa grande tarefa de fiscalização do governo e de difusão dos nossos ideais, contamos com vocês.

Muito obrigado,

Forte abraço,

Senador Sérgio Guerra (PE)

Presidente Nacional do PSDB

Discurso da derrota de José Serra tem choro e aplausos,candidato cita hino nacional para dizer que não fugirá da luta


Com olhos marejados, semblante de decepção e sob aplausos de quem o esperava. Foi assim que o candidato José Serra (PSDB) chegou ao comitê central de sua campanha, no centro de São Paulo, duas horas e meia depois da divulgação de sua derrota na disputa pela Presidência da República e da vitória da petista Dilma Rousseff.

Ao descer do carro, na porta do comitê, uma sequência de abraços o aguardava. Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Roberto Freire (PPS-SP) compunham o batalhão de aliados vindos de todo o país que se revezavam para consolar o candidato desolado. No palco, faltou espaço para tanta gente.
Logo que começa a falar, o discurso foi interrompido pelo som de uma TV que vazava pelas caixas de som. A propaganda anunciava o próximo capítulo do Vale a Pena Ver de Novo, mas, embora a história tenha se repetido para o tucano oito anos depois, o programa anunciado não era sobre Serra.

O discurso prossegue e, em tom de agradecimento, as interrupções agora eram por conta dos aplausos da plateia, formada por militantes que estiveram no comitê ainda durante a apuração, na esperança de uma virada e, depois do resultado, permaneceram para devolver o agradecimento.

- Não vim aqui pra falar da frustração, mas da confiança e da esperança. Nesses meses duríssimos em que enfrentamos forças terríveis.

Próximos a Serra, assessores que sofreram ao lado do candidato os “meses duríssimos” choravam. Na plateia, as lágrimas também rolavam. E mais aplausos.

Verônica Serra, filha do candidato e que teve seu nome ligado a escândalos durante a campanha, gravava em sua câmera digital o discurso emocionado do pai. Foi ela que, enquanto o tucano listava os nomes que ganhariam um “agradecimento especial”, cochichou o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no ouvido do candidato, que perguntou no microfone.

- O Fernando Henrique está aqui?

Não estava.

Lembrando discurso emocionado que fez durante a campanha, pouco antes do primeiro turno, Serra encerrou sua fala derradeira citando versos do hino nacional, incentivando um coro de militantes.

- Mas, se ergues da justiça a clava forte, verás que um filho teu não foge à luta, nem teme, quem te adora, a própria morte.

O recado estava dado.

domingo, 24 de outubro de 2010

SEM MÊDO DO PASSADO:CARTA ABERTA DE FHC A LULA


Fernando Henrique Cardoso

O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades. Para ganhar sua guerra imaginária, distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere que se a oposição ganhar será o caos. Por trás dessas bravatas está o personalismo e o fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de tanta glória. Houve quem dissesse “o Estado sou eu”. Lula dirá, o Brasil sou eu! Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.

Lamento que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos. Ele possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira. Deu passos adiante no que fora plantado por seus antecessores. Para que, então, baixar o nível da política à dissimulação e à mentira?

A estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal, o PSDB e FHC (muita honra para um pobre marquês…). Por que seríamos o inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições. Como desconstruir o inimigo? Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido. Onde está a política mais consciente e benéfica para todos? No ralo.

Na campanha haverá um mote – o governo do PSDB foi “neoliberal” – e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social. Os dados dizem outra coisa. Mas os dados, ora os dados… O que conta é repetir a versão conveniente. Há três semanas Lula disse que recebeu um governo estagnado, sem plano de desenvolvimento. Esqueceu-se da estabilidade da moeda, da lei de responsabilidade fiscal, da recuperação do BNDES, da modernização da Petrobras, que triplicou a produção depois do fim do monopólio e, premida pela competição e beneficiada pela flexibilidade, chegou à descoberta do pré-sal.

Esqueceu-se do fortalecimento do Banco do Brasil, capitalizado com mais de R$ 6 bilhões e, junto com a Caixa Econômica, libertados da politicagem e recuperados para a execução de políticas de Estado.

Esqueceu-se dos investimentos do programa Avança Brasil, que, com menos alarde e mais eficiência que o PAC, permitiu concluir um número maior de obras essenciais ao país. Esqueceu-se dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à internet e aos celulares, do fato de que a Vale privatizada paga mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal, de que a Embraer, hoje orgulho nacional, só pôde dar o salto que deu depois de privatizada, de que essas empresas continuam em mãos brasileiras, gerando empregos e desenvolvimento no país.

Esqueceu-se de que o país pagou um custo alto por anos de “bravata” do PT e dele próprio. Esqueceu-se de sua responsabilidade e de seu partido pelo temor que tomou conta dos mercados em 2002, quando fomos obrigados a pedir socorro ao FMI – com aval de Lula, diga-se – para que houvesse um colchão de reservas no início do governo seguinte. Esqueceu-se de que foi esse temor que atiçou a inflação e levou seu governo a elevar o superávit primário e os juros às nuvens em 2003, para comprar a confiança dos mercados, mesmo que à custa de tudo que haviam pregado, ele e seu partido, nos anos anteriores.

Os exemplos são inúmeros para desmontar o espantalho petista sobre o suposto “neoliberalismo” peessedebista. Alguns vêm do próprio campo petista. Vejam o que disse o atual presidente do partido, José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobras, citado por Adriano Pires, no Brasil Econômico de 13/1/2010.

“Se eu voltar ao parlamento e tiver uma emenda propondo a situação anterior (monopólio), voto contra. Quando foi quebrado o monopólio, a Petrobras produzia 600 mil barris por dia e tinha 6 milhões de barris de reservas. Dez anos depois, produz 1,8 milhão por dia, tem reservas de 13 bilhões. Venceu a realidade, que muitas vezes é bem diferente da idealização que a gente faz dela”.
(José Eduardo Dutra)

O outro alvo da distorção petista refere-se à insensibilidade social de quem só se preocuparia com a economia. Os fatos são diferentes: com o Real, a população pobre diminuiu de 35% para 28% do total. A pobreza continuou caindo, com alguma oscilação, até atingir 18% em 2007, fruto do efeito acumulado de políticas sociais e econômicas, entre elas o aumento do salário mínimo. De 1995 a 2002, houve um aumento real de 47,4%; de 2003 a 2009, de 49,5%. O rendimento médio mensal dos trabalhadores, descontada a inflação, não cresceu espetacularmente no período, salvo entre 1993 e 1997, quando saltou de R$ 800 para aproximadamente R$ 1.200. Hoje se encontra abaixo do nível alcançado nos anos iniciais do Plano Real.

Por fim, os programas de transferência direta de renda (hoje Bolsa-Família), vendidos como uma exclusividade deste governo. Na verdade, eles começaram em um município (Campinas) e no Distrito Federal, estenderam-se para Estados (Goiás) e ganharam abrangência nacional em meu governo. O Bolsa-Escola atingiu cerca de 5 milhões de famílias, às quais o governo atual juntou outras 6 milhões, já com o nome de Bolsa-Família, englobando em uma só bolsa os programas anteriores.

É mentira, portanto, dizer que o PSDB “não olhou para o social”. Não apenas olhou como fez e fez muito nessa área: o SUS saiu do papel à realidade; o programa da aids tornou-se referência mundial; viabilizamos os medicamentos genéricos, sem temor às multinacionais; as equipes de Saúde da Família, pouco mais de 300 em 1994, tornaram-se mais de 16 mil em 2002; o programa “Toda Criança na Escola” trouxe para o Ensino Fundamental quase 100% das crianças de sete a 14 anos. Foi também no governo do PSDB que se pôs em prática a política que assiste hoje a mais de 3 milhões de idosos e deficientes (em 1996, eram apenas 300 mil).

Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças. Mas se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer.

Fonte: Manifesto em Defesa da Democracia

sábado, 23 de outubro de 2010

BRINCADEIRA TEM HORA

Em primeiro lugar, o presidente Luiz Inácio da Silva é a última pessoa com autoridade moral para falar em farsas ou em "mentira descarada", visto que é protagonista da maior delas: a falácia segundo a qual recebeu uma "herança maldita" e que estabilidade econômica, a abertura do Brasil para o mundo, o crescimento e a entrada de milhões do mercado consumidor deve-se exclusivamente ao seu governo.


Há pouco seu governo inteiro junto com sua candidata à Presidência produziram "mentiras descaradas" ao repudiarem as denúncias de que havia na Receita quebras de sigilo fiscal de adversários políticos e que um esquema de tráfico de influência e corrupção estava montado a partir da Casa Civil.

Lula também se precipitou ao atribuir as quebras de sigilo a uma "briga de tucanos". Baseava sua tese no fato de o mandante ser repórter do Estado de Minas sem saber que à época Amaury Ribeiro estava em férias a serviço de outrem.

O presidente da República dá razão ao antecessor que o chama de "chefe de uma facção", quando escolhe insuflar a violência no lugar de contribuir para apaziguar os ânimos.

É o que faria um estadista.

Justiça se faça, Lula não ficou só em sua tentativa de ridicularizar o episódio. Muitos na imprensa partiram para ironias, achando um exagero a reação de José Serra atingido, afinal, só por "uma bolinha de papel".

Foram duas imagens captadas em dois momentos diferentes, comprovou-se ao longo do dia. Mas, ainda que o candidato tucano tenha feito drama, continuam sendo inaceitáveis os ataques de militantes contrariados com a passagem do tucano pelas ruas de Campo Grande (RJ). Brincar com isso é má-fé, tratar como banal a violência eleitoral e, sobretudo, não entender o valor em jogo.

Impedir um ato de campanha com tumultos é violência. Bem como foi violência atirar um balão cheio de água sobre o carro onde estava a candidata Dilma Rousseff ontem em Curitiba. O balão não a atingiu, mas poderia ter atingido. Ainda assim resta a intenção: agredir.

O presidente da República condenará uma violência, mas aprovará a outra? Ou dirá que estava apenas condenando o "teatro" do adversário? Nisso não é crítico autorizado.

É partícipe e mesmo condutor de uma caminhada em direção ao retrocesso: a nos tornarmos permissivos com o uso da violência na política, assim como já estamos no rumo de revogar a integralidade do preceito do livre pensar.


Ovos da serpente. É assim que começa: a Assembleia Legislativa do Ceará aprovou projeto de um conselho para atuar entre outras funções no "exercício fiscal sobre a prática da comunicação".


Em Goiás, a TV Brasil Central, do governo do Estado, não pode entrevistar adversários políticos.


O projeto de controle da mídia foi iniciativa de uma deputada estadual do PT cearense, aprovado por unanimidade, e ainda precisa passar pelo crivo do governador Cid Gomes.


A censura foi denunciada, num gesto inédito, ao vivo pelo jornalista Paulo Beringhs, proibido de entrevistar o candidato ao governo Marconi Perillo (PSDB), chamado no dia anterior de "mau caráter" pelo presidente Lula em palanque.


Liberdade e luta. Já que Chico Buarque puxou o assunto ao manifestar seu encanto com o fato de o governo Lula "não falar fino com Washington nem falar grosso com Bolívia e Paraguai", vamos ao fato: o governo brasileiro não deveria é falar fino com ditaduras.


Aliás, o mundo da cultura, que sofreu pesadamente os efeitos da durindana local, nos últimos anos não se incomodou - se o fez não foi em voz alta - com a maleabilidade das vértebras do presidente Lula diante de tiranos.


A complexidade das relações exteriores não cabe em um jogo de palavras. Já a condenação aos crimes das ditaduras às quais o Brasil se dobra para espanto do mundo requer apenas dois atributos: coerência e solidariedade.


Independentemente da opinião eleitoral.


Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O PT é Contra ou a Favor do Real?

ALGUNS DADOS SOBRE A "HERANÇA" QUE O GOVERNO DE FHC DEIXOU


O Índice de Desenvolvimento Humano: um dos principais indicadores do nível de vida da população de um país cresceu muito mais durante o governo FHC.

Significa que a qualidade de vida do povo brasileiro melhorou de forma mais acelerada no governo anterior que no governo atual.

FHC: de 1995 a 2000 cresceu 7,62% ou 1,48% ao ano
Lula: de 2000 a 2007 cresceu 2,91% ou 0,41% ao ano

O Brasil só superou o crescimento médio mundial de 1995 a 2000.
Lula aproveita-se de um pouco do crescimento da época FHC nesta comparação devido à esparsidade dos dados.

Fonte: Dados oficiais da ONU

Acesso à Rede de água

O percentual de domicílios com acesso a rede de água potável encanada, condição básica à dignidade humana.

FHC: de 1994 a 2002 cresceu 42,09% em número absoluto ou 4,49% ao ano
FHC: de 1994 a 2002 cresceu 9,33% em proporção do total ou 1,12% ao ano
Lula: de 2002 a 2007 cresceu 19,22% em número absoluto ou 3,58% ao ano
Lula: de 2002 a 2009 cresceu 4,02% em proporção do total ou 0,57% ao ano

Fontes: Dados oficiais do IBGE

Acesso à Rede de esgoto

A quantidade de domicílios com acesso à rede de escoamento de esgoto é um critério essencial para a qualidade de vida da população.

FHC: de 1994 a 2002 cresceu 55,16% em número absoluto ou 5,65% ao ano
FHC: de 1994 a 2002 cresceu 19,23% em proporção do total ou 2,22% ao ano
Lula: de 2002 a 2007 cresceu 29,52% em número absoluto ou 5,31% ao ano
Lula: de 2002 a 2009 cresceu 14,62% em proporção do total ou 1,97% ao ano

Fontes: Dados oficiais do IBGE

Acesso à Energia elétrica

O percentual de domicílios com acesso à rede elétrica, outro critério essencial para a obtenção de um bom nível de qualidade de vida, cresceu muito mais rápido durante o governo anterior que no governo atual.

FHC: de 1994 a 2002 cresceu 7,44% ou 0,90% ao ano
Lula: de 2002 a 2009 cresceu 2,48% ou 0,35% ao ano

Fontes: Dados oficiais do IBGE

Porcentagem de Domicílios com geladeira

O refrigerador tornou-se item essencial para a família. Mesmo assim, ainda existem domicílios que não possuem este eletrodoméstico. A proporção de domicílios com geladeira cresceu muito mais rápido durante o governo Fernando Henrique que no governo posterior.

FHC: de 1994 a 2002 cresceu 20,75% ou 2,39% ao ano
Lula: de 2002 a 2009 cresceu 8,30% ou 1,15% ao ano

Fontes: Dados oficiais do IBGE

Porcentagem de Domicílios com telefone

O telefone era considerado um bem de difícil acesso, após a privatização do setor sua disponibilidade cresceu vertiginosamente. A tabela abaixo resume os dados de crescimento no acesso a linhas telefônicas nos últimos governos.

FHC: de 1994 a 2002 cresceu 224,21% ou 15,84% ao ano
Lula: de 2002 a 2009 cresceu 37,82% ou 4,69% ao ano

Fonte: Dados oficiais do IBGE

Evasão escolar: algo extremamente preocupante em qualquer sociedade, principalmente na idade normalmente associada ao ensino secundário - pode fazer uma diferença crucial na vida de uma pessoa. Enquanto o número de alunos entre 15 e 17 anos que não frequentavam a escola caiu dramaticamente durante o governo Fernando Henrique, este número permaneceu de maneira preocupante estável durante o governo Lula.


FHC: de 1994 a 2002 variou -51,44% ou -8,63% ao ano
Lula: de 2002 a 2007 variou -4,32% ou -0,88% ao ano

Fonte: Dados oficiais do IBGE

Acesso à universidade

É uma medida clara do desenvolvimento da educação em um país. Segundo o censo da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira fornece os dados a respeito.

FHC: de 1995 a 2002 o número de matrículas em instituições federais cresceu 44,65% ou 5,42% ao ano
Lula: de 2002 a 2008 o número de matrículas em instituições federais cresceu 20,97% ou 3,22% ao ano
FHC: de 1994 a 2002 o número total de matrículas no ensino superior cresceu 109,50% ou 9,69% ao ano
Lula: de 2002 a 2008 o número total de matrículas no ensino superior cresceu 45,98% ou 6,51

Dívida Pública Federal

Dívida pública federal ao final do governo FHC -12/2002: R$ 560.828.810.000,00
Dívida pública federal ao final do governo Lula -10/2010: R$ 985.808.530.000,00

Fonte: Dados oficiais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

A dívida pública federal líquida ao final do governo Lula é quase o dobro da dívida ao final do governo Fernando Henrique ao ano



Mais informações no: Governo Brasil

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Serra agradece a todos os mobilizadores

CHILIQUE DA DILMA


Paulo Panossian - JORNAL DO BRASIL (online)

Como aquela criança marrenta, rebelde, que quer porque quer, assim se apresentou a candidata Dilma Rousseff no bom formato do debate da Band. E pela primeira vez nesta campanha a petista se mostrou no seu estado natural – uma mulher brava, teimosa e de poucos amigos.A depressão pela não vitória no primeiro turno ficou expressa na reação da candidata, que surpreende acusando o Serra, de estar fazendo uma campanha suja contra ela. Mas a Dilma não detalhou os fatos. Jogou no ventilador da dúvida. Será que ela quis se referir às recentes denúncias, como a de ser favorável ao aborto e as falcatruas na Casa Civil? Estas, na realidade, não partiram da oposição. No primeiro caso, a comprovação está nas entrevistas que ela mesma concedeu. Já no caso que envolveu a ex-ministra Erenice Guerra, se não fossem verdadeiras as denúncias apresentadas pela imprensa, ela não teria sido demitida.Este fato respingou na Dilma, com consequência, nas urnas, porque, por sete anos, Erenice foi seu braço direito na Casa Civil. E por sua orientação, quando deixou o ministério, foi indicada para sucedê- la. Um fato novo surgiu, e talvez possa justificar a irritação de Dilma no debate da Band. A Folha de S. Paulo, em seu site do dia 11, divulgou informação de que a candidata petista teve um caso durante 15 anos com uma ex-empregada, e que esta entrou na justiça exigindo uma indenização. Talvez por isso Dilma tenha se insurgiu contra o candidato José Serra, no decorrer do evento, como se fosse o responsável por esta suposta calúnia. Na verdade, a Dilma não venceu no primeiro turno, porque tenha declarado sua posição a favor do aborto. Sua queda na preferência do eleitorado se deveu muito mais aos escândalos da Receita Federal, e da Casa Civil.Mas este chilique talvez até estratégico da petista, insistindo em atacar seu concorrente, impediu que outros temas importantes fossem abordados, frustrando os milhares de telespectadores. Mesmo assim, num dos poucos temas abertos como das privatizações, José Serra poderia ser mais enfático, e valorizar este programa patrocinado em grande parte pelo governo FHC.A retrógrada bandeira petista contra as privatizações não cola mais. E querer iludir o eleitorado dizendo que as estatais vendidas ao setor privado prejudicaram o povo e a economia brasileira é de uma inutilidade atroz. O Estado jamais foi capaz de administrar com eficiência as megaempresas, que sempre apresentavam prejuízos. E todas, sem distinção, eram na época uma fonte inesgotável de cabide de empregos, privilegiando os currais políticos.A reação do eleitorado com esta nova faceta de campanha da Dilma, abandonando o paz e amor e partindo para o ataque, ainda é uma incógnita. O que ficou claro no primeiro turno é que uma parcela importante da população brasileira está mais do que atenta aos graves acontecimentos divulgados pela imprensa e que envolvem nossas instituições, particularmente no Executivo e no Legislativo. Não fosse isso, os mais de 100 milhões de eleitores que depositaram seus votos nas urnas no dia 3 de outubro teriam sacramentado a vitória de Dilma, logo no primeiro turno.

domingo, 17 de outubro de 2010

ROSA DOS VENTOS

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo


A conversa obviamente não é oficial, mas está adiantada: o PMDB já começou a reconstruir suas pontes com o PSDB para, na hipótese de uma vitória do tucano José Serra, assegurar participação no governo no papel semelhante ao que terá no caso de Dilma Rousseff ser a presidente eleita no próximo dia 31: avalista da governabilidade.


Exímio farejador da direção dos ventos, o partido que indicou o vice de Dilma avalia internamente que aumentaram muito as chances de Serra ser eleito presidente.

Pelo menos cinco sessões regionais do partido (Santa Catarina, Acre, São Paulo, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul) estão com a candidatura da oposição e outras três, Minas Gerais, Pará e Bahia, se não fazem campanha para o PSDB, para o PT também não fazem.

Consequência das mágoas do primeiro turno, quando, segundo as queixas dos peemedebistas, o partido foi tratado como gato borralheiro: deixado de lado, escondido, excluído da propaganda presidencial e das negociações sobre divisão dos espaços no futuro governo.

Como Dilma e Lula estavam com toda força e aparentemente com a vida ganha junto ao eleitorado, o PMDB ficou calado.

Quando as urnas revelaram uma realidade diferente, o partido viu que chegara a "hora do troco". No primeiro momento pensou apenas em melhorar seu cacife e o tratamento junto ao parceiro, já que o PT precisaria de muito apoio na segunda etapa.

Com o passar dos primeiros dias, o ambiente e as pesquisas começaram a desenhar um cenário em que a vitória da oposição ficou sendo uma possibilidade real.

Diante disso, aqueles dirigentes do PMDB mais identificados tradicionalmente com o PSDB, até por terem participado do governo Fernando Henrique Cardoso, cresceram de importância internamente.

Começaram a ser mais ouvidos enquanto ganhou corpo o discurso de que o partido foi tratado como "acessório de luxo" o tempo todo pelo PT.

Diante da situação de empate técnico retratada no fim da semana, o "pragmatismo de Brasília" - é a expressão literal - voltou a prevalecer. Ou seja: emissários acorrem à seara tucana ao mesmo tempo em que outro pedaço do partido continua fidelíssimo à candidatura de Dilma, esperando o resultado da eleição.

Quando Michel Temer, candidato a vice e presidente do partido, diz que será "inútil" a investida dos tucanos em busca de apoios dentro do PMDB sabe que não retrata a realidade.

Tanto que usa a seguinte frase para reafirmar a profissão de fé lulista: "Há um fechamento de todo o PMDB em torno de nossa candidatura."

Normal será que falasse "em torno da candidatura de Dilma", pois não? Pois é.

O partido não teme perder importância ao embarcar na canoa até então adversária, por dois motivos: primeiro, porque supõe que seja bem recebido pelo PSDB e, segundo, porque suspeita de que não teria participação mais que periférica em governo do PT, mesmo ocupando a Vice-Presidência.

As conversas sobre essa transposição de posições correm tão à vontade nas internas do PMDB que já são feitas avaliações a respeito das razões de o PT ter perdido o favoritismo.

Lá não se fala sobre voto religioso, efeito Marina Silva ou influência do escândalo Erenice Guerra. Para os peemedebistas todos esses fatores foram "instrumentos".

O motivo da mudança do clima, de acordo com essas análises, foi a ofensiva do presidente Lula contra os veículos de comunicação e a liberdade de expressão.

Aí, segundo o PMDB, Lula teria dado a Serra a chance que, sozinho e com uma campanha muito mal ajambrada, ele nunca teria.

Currículo. Não é a primeira vez que o instituto Vox Populi erra nas previsões eleitorais aos seus clientes, como aconteceu agora com o PT.

Na eleição municipal de 2008, o então governador de Minas, Aécio Neves, não gostou, e cobrou isso com todos os efes e erres da direção do instituto, com a previsão de que Márcio Lacerda levaria a Prefeitura de Belo Horizonte no primeiro turno.

Confiante, Aécio relaxou e por pouco Lacerda não perde para o candidato do PMDB.




sábado, 2 de outubro de 2010

Empolgação na reta final da campanha: Geraldo Alckmin

A hora da verdade

Pelo menos dois fatores singulares marcaram a presente campanha eleitoral, distinguindo-a das anteriores. O primeiro foi o engajamento absoluto e sem precedentes do presidente da República, violando com frequência a lei, indiferente e mesmo irônico em relação às sucessivas multas que lhe impôs a Justiça Eleitoral.


O segundo foi o papel confuso que nela desempenhou o Supremo Tribunal Federal, transformando-se em órgão legislador e agente ativo do processo. Dele dependerá, inclusive, o voto final para a contabilização do resultado. Se decidir que a Lei da Ficha Limpa vale, a contagem será uma; se decidir o contrário, será outra.


Haja confusão. De quebra, o STF extinguiu o Título de Eleitor a três dias do pleito, revogando lei aprovada pelo Congresso – e perfeitamente constitucional -, sancionada pelo presidente da República. A lei, proposta pelo PCdoB, exigia que, além do Título, o eleitor apresentasse documento de identidade com foto. O PT engajou-se em sua aprovação. A uma semana do pleito, questionou-a. O STF o atendeu, dispensando o Título de Eleitor.


O mais interessante é que dois dos ministros que votaram pela extinção do Título – Ricardo Lewandowski e Carmem Lúcia – haviam votado três meses antes, no Tribunal Superior Eleitoral, em sentido contrário. Defenderam os dois documentos. Nunca antes neste país, se viu nada parecido, em ambos os casos – no de Lula e no do STF.


Voltemos a Lula. Seu poder de transferência de votos não pode ser questionado, sobretudo quando acrescido do uso desmedido da máquina administrativa. Sua candidata, Dilma Roussef, sozinha, não teria chances. Perderia para Plínio de Arruda Sampaio.


Lula a inventou, abdicando da condição de chefe de Estado para reassumir a de chefe de partido. Ao pedir que votassem em Dilma como se fosse nele próprio, não agiu muito diferente do ex-governador Joaquim Roriz, que disse o mesmo ao lançar sua esposa, Weslian Roriz, candidata em seu lugar ao governo de Brasília.


A diferença é que o casamento de Lula com Dilma é apenas político. Mas o princípio da terceirização em ambos os casos é o mesmo – e cargo público eletivo não é terceirizável.


Ainda que não vença no primeiro turno, como chegou a parecer inevitável, Dilma vai para o segundo como franca favorita, e não será fácil barrá-la. Lula continuará ocupando todos os espaços para elegê-la, não hesitando em engajar a máquina do governo na campanha. Se a Justiça não o inibiu até aqui, é improvável que o faça agora.


Já José Serra, provável oponente de Dilma na eventualidade de um segundo turno, conta, para reagir, com a adesão efetiva de seus correligionários, que, ao longo do primeiro turno, preocuparam-se mais em garantir a própria eleição que em ajudá-lo.


Todos temiam afrontar a popularidade de Lula e escondiam o presidenciável tucano. No segundo turno, esse risco não existe mais e isso fará muita diferença. Não é casual que Lula se empenhe tanto em decidir a eleição no primeiro turno. Segundo turno é outra eleição, com variáveis bem distintas.


O crescimento de Marina Silva, tirando votos de Dilma, preocupa o PT. Independentemente do que Marina disser, a maioria de seus eleitores – 51%, segundo o Datafolha -, se alinhará com Serra. E ela, que deixou o governo Lula em atrito com Dilma, terá dificuldades políticas em voltar ao leito anterior.


As eleições estão aí – e a hora da verdade vale não apenas para os candidatos, mas também para os institutos de pesquisa, cujo protagonismo na campanha foi outro fenômeno sem precedentes. É hora de conferir.


Fonte: Blog do Noblat - artigo de Ruy Fabiano

sábado, 25 de setembro de 2010

Após ataques de Lula,juristas lançam manifesto em defesa da democracia

Juristas que marcaram sua trajetória na luta pela preservação dos valores fundamentais lançaram ontem nas Arcadas do Largo de São Francisco, em São Paulo, o Manifesto em Defesa da Democracia, com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O palco para o ato público foi o mesmo onde, há 33 anos, o jurista Goffredo da Silva Telles leu a Carta aos Brasileiros, contra a tirania dos generais.

O agravo em 43 linhas condena o presidente Lula, que, na reta final da campanha à sua sucessão, distribui hostilidades à imprensa e faz ameaças à liberdade de expressão e à oposição.

Uma parte do pensamento jurídico e acadêmico do País que endossou o protesto chamou Lula de fascista, caudilho, autoritário, opressor e violador da Constituição. O presidente foi comparado a Benito Mussolini, ditador da Itália nos anos 30. "Na certeza da impunidade (Lula), já não se preocupa mais nem mesmo em valorizar a honestidade. É constrangedor que o presidente não entenda que o seu cargo deve ser exercido em sua plenitude nas 24 horas do dia", disse Hélio Bicudo, fundador do PT, do alto do púlpito da praça, ornada com duas bandeiras do Brasil.

Sob o sol forte do meio-dia, professores, sociólogos, economistas, intelectuais, escritores, poetas, artistas, advogados e também políticos tucanos cantaram o Hino Nacional. Muitos dos presentes ao ato público de ontem estavam no mesmo local em agosto de 1977 para subscrever a Carta aos Brasileiros.

Em editorial,o Estado de São Paulo apóia Serra


Enviado por Ricardo Noblat

A acusação do presidente da República de que a Imprensa “se comporta como um partido político” é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside.

E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre “se comportar como um partido político” e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.

Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.

Efetivamente, não bastasse o embuste do “nunca antes”, agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder.

É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir.

O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.

Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa – iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique – de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana.

Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.

Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia – a começar pelo Congresso.

E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o “cara”. Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: “Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?”

Este é o mal a evitar.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

CORRUPÇÃO EM ALTA


"O combate à corrupção e a defesa da ética no trato a coisa publica seraõ objetivos centrais e permanentes do meu governo.
É preciso enfrentar com determinação e derrotar a verdadeira cultura da impunidade que
prevalece em certos setores da vida publica"
Luis Inácio Lula da Silva
Brasilia,1º de janeiro de 2003

O presidente Lula frequentemente recorre à expressão “nunca neste país” para exaltar supostos pioneirismos de sua gestão. Mas se existe algo que de fato nunca este país havia visto antes é a quantidade de escândalos, denúncias de corrupção e desvios éticos, ainda mais no governo de um partido que sempre se colocou como monopolista da ética e da moralidade. A Casa Civil, órgão responsável por coordenar as ações de governo, é mais uma vez o centro de um escândalo na gestão petista, que culminou nesta quinta-feira (16) com o pedido de demissão de Erenice Guerra, sucessora de Dilma Rousseff na pasta.

Antes da atual candidata do PT à Presidência da República comandar a Casa Civil, o "capitão do time" era José Dirceu. No entanto, o reinado do petista - também chamado na época de "primeiro ministro" - não durou muito. A agonia dele começou em 2004, quando teve seu nome envolvido num esquema de denúncias de corrupção contra Waldomiro Diniz, ex-assessor da Casa Civil. Depois veio à tona a acusação de participação dele no escândalo do mensalão.

Enfraquecido, Dirceu pediu afastamento em junho de 2005. Na cerimônia de transmissão de cargo, chamou Dilma de "companheira de armas". O petista retomou seu mandato de deputado para tentar “lutar na planície”, mas acabou banido da vida pública por oito anos com a cassação de seu mandato, ocorrida em 1º de dezembro de 2005.

Em abril de 2006, o Ministério Público Federal apresentou denúncia na qual acusa integrantes da então cúpula do PT de formar uma "sofisticada organização criminosa" que se especializou em desviar dinheiro público e comprar apoio político. Ao todo, 40 foram denunciados, inclusive José Dirceu. Agora, com a queda de Erenice Guerra, mais um comandante da Casa Civil no governo do PT sai de cena após graves denúncias.

Por Diário Tucano

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Em São Paulo,candidato José Serra afirmou que vazamentos violaram a constituição.


PT e Dilma "emitem declarações protocolares e falam com cara de pau",disse.

O candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, comparou na noite desta quarta-feira (1º) em São Paulo o caso da violação do sigilo fiscal da sua filha, Veronica, ao episódio semelhante que envolveu o caseiro Francenildo dos Santos Costa.

Em 2006, o caseiro, que trabalhava que casa supostamente frequentada por pessoas ligadas ao ex-ministro da Fazenda e atual coordenador da campanha de Dilma Rousseff (PT), Antonio Palocci, teve seu sigilo bancário violado.

Palocci foi acusado pelo Ministério Público de ter ordenado a quebra do sigilo, mas a denúncia acabou arquivada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

“Quando se viola o sigilo bancário de um caseiro, viola-se a Constituição. [...] Quando se viola o sigilo fiscal de uma filha nossa, está se violando sobretudo a Constituição. E não se perguntem quem é o Francenildo. O Francenildo são vocês. O Francenildo somos nós”, disse Serra.

Serra participou de um encontro de prefeitos em São Paulo. Segundo a organização do evento, 353 prefeitos de municípios paulistas participaram do encontro, sendo ao menos 11 de partidos no plano nacional integram a coligação de Dilma, como PSB e PDT.

A uma platéia de políticos, Serra investiu duramente contra Dilma. “Não sou uma fraude, não sou produto de uma fraude. [...] Não preciso de marqueteiro para mudar minha cara, meu pensamento e minha trajetória de vida [...] Nenhum pedaço de minha biografia precisa ficar trancado no cofre em época de eleição”, disse Serra, em referência ao fato de o processo que levou à prisão de Dilma durante o regime militar estar trancado em um cofre do Superior Tribunal Militar.

O tribunal diz que a restrição é para evitar “uso político” do material.

Em discurso em que chegou a chorar ao final, ao citar trechos do hino nacional e dizer que “não foge à luta”, o tucano reclamou que nenhum integrante da campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência tenha se manifestado sobre a quebra de sigilo.

“Ninguém do governo do PT ou da campanha da minha adversária deu-se ao trabalho de pelo menos fingir que a situação é grave e vir a público dar satisfação”, afirmou.

Segundo ele, o PT e a campanha “emitem declarações protocolares e falam com cara de pau”.

Para tucanos, campanha ainda começa
Candidatos e líderes tucanos que discursaram no evento procuraram transmitir mensagem de otimismo aos prefeitos, ressaltando que a campanha ainda está no início.

“O Hélio Garcia [ex-governador de MG] dizia que eleição começa depois da parada de Sete de Setembro”, disse o candidato do PSDB ao governo paulista, Geraldo Alckmin. “Eu [quando candidato à Presidência em 2006] nessa época tinha 23% [nas pesquisas], quando abriu as urnas tinha quase 42%.”

“A campanha só começa quando o assunto da política e dos candidatos passa a freqüentar as conversas”, disse o candidato do PSDB ao Senado por São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira.

Aloysio disse que a “vitória em São Paulo é decisiva para a vitória no Brasil”, o que Serra também reforçou em sua fala. “Temos que ter um resultado eleitoral à altura do peso e da responsabilidade do nosso estado”, disse o candidato à Presidência.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Mobiliza Itanhaém


Amanhã 31/08 as 18 hrs vamos todos mobilizar!

Movimento pró Serra,Geraldo Alckmin,Aloysio Nunes e Quércia, na sede do diretório municipal de Itanhaém.
Vamos todos participar,unidos por São Paulo,unidos pelo Brasil!!

domingo, 29 de agosto de 2010

A ditadura Dilma


A opinião pública brasileira chegou a um estado inédito de letargia. Do alto de seus quase 80% de aprovação, Lula pode dizer qualquer coisa. O bom entendedor está arrepiado.

Em sua excitação de Midas eleitoral, com a candidata fantasma disparando nas pesquisas, o presidente fala pelos cotovelos – e seus cotovelos andam dizendo barbaridades.

A mais grave delas, para variar, passou despercebida. Reclamando do Senado Federal, que lhe foi menos servil do que ele desejava, Lula anunciou:

“Penso em criar um organismo muito forte, juntando todas essas forças que nos apóiam, para que nunca mais a gente possa permitir que um presidente sofra o que eu sofri”.

A declaração feita num palanque em Recife, onde o presidente tornou-se uma espécie de semideus, é um escândalo. Ou melhor: seria um escândalo, se o Brasil não vivesse nesse atual estado de democracia anestesiada.

Lula está anunciando um “organismo” político para neutralizar o Congresso Nacional. É o presidente da República, de viva voz, avisando que as regras da democracia não servem mais. Quer usar a ligação direta com as massas para enquadrar o Senado. O mais famoso autor de uma idéia desse tipo foi o führer Adolf Hitler.

Se o Brasil não estivesse imerso no sono populista, Lula teria que ser convocado imediatamente ao Congresso para explicar que “organismo” é esse.

As cartas estão na mesa, e são claras. Todas as tentações autoritárias da esquerda S.A. estão fervilhando com a disparada de Dilma, a candidata de proveta, na corrida presidencial. Chegou a hora de submeter o Congresso, a imprensa e as leis à República dos companheiros.

Luiz Inácio falou, Luiz Inácio avisou: está sendo urdida uma força para-estatal para dar poderes especiais ao governo Dilma.

A vitória no primeiro turno seria o passo inicial do arrastão. Depois viria a Constituinte petista, com a enxurrada de “controles sociais” e “correções democráticas” que o país já viu sair das conferências xiitas bancadas por Lula.

Brasil, divirta-se com a brincadeira de votar na mamãe. Depois comporte-se, porque o organismo vem aí.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Soltaram o Serra



O primeiro debate Folha/UOL mostrou uma importante mudança na estratégia do tucano José Serra (e de seus assessores) no embate direto contra a petista Dilma Rousseff.

Em desvantagem crescente em relação a Dilma, Serra não perdeu oportunidades de ir ao ataque. Deve estar latejando em sua cabeça os apenas três pontos percentuais que faltam (segundo o Datafolha) para que Dilma vença a parada em primeiro turno.

Até mesmo quando o tema em questão não tinha nada a ver com esses assuntos, o tucano fez questão de levantar o mensalão, os aloprados da campanha de 2006, os dossiês contra o PSDB e o "chefe da quadrilha, José Dirceu".

Disse ainda que, "no torneio do quanto pior, melhor, o PT ganha de goleada".

Foi uma referência direta ao fato de, no passado, os petistas terem se posicionando contra todas as grandes mudanças que colocaram o Brasil em um novo patamar (o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal, entre outras).

Em determinado momento, a verde Marina Silva foi obrigada a pontuar que Serra estaria ensaiando "um quase pugilato". Não adiantou.

Serra continuou a atacar o "toma lá dá cá" em que teria se tornado a política sob Lula e o "loteamento de cargos em todas as esferas". E frisou: "Não passo a mão na cabeça de quem transgrediu". Uma referência à ausência de punição, dentro do PT, dos envolvidos em escândalos.

O debate mostrou que a vida está ficando difícil para Serra. E, daqui até as eleições, tende a piorar à medida que os dias forem avançando e trazendo uma nova onda de crescimento.

No primeiro trimestre do ano, o Brasil cresceu a taxas chinesas. Entre abril e junho, houve praticamente uma estagnação. Neste momento, a economia mostra novos sinais de vigor, que devem se acentuar até o primeiro turno, em 3 de outubro.

Economia não é tudo. Mas ela deve ser determinante nessa campanha, marcada por uma forte distribuição de renda nos últimos anos.

Neste cenário, Serra faz bem em sair da toca e em repisar o leque de escândalos do governo Lula.

Afinal, a economia melhorou. Já a política e a transparência dos negócios público-privados seguem ruins como sempre.

Por Fernando Canzian

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Educação é o tema mais citado entre presidenciáveis no debate e segurança é ignorado




O tema "Educação" foi o mais discutido pelos três candidatos à Presidência da República —Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV)— durante o primeiro debate realizado exclusivamente para a internet, promovido pela Folha e pelo UOL.

O candidato tucano foi quem mais insistiu na temática, se referindo à educação em seis momentos diferentes, ora questionando as medidas adotadas pelo PT na área, ora exaltando as conquistas de seu partido, o PSDB.

Ataques ao posicionamento político do candidato e às formas de composição de alianças entre os partidos, foram assuntos que ganharam o segundo lugar entre os temas mais discutidos durante o evento. José Serra e Dilma Rousseff trocaram farpas entre si em 10 momentos diferentes. Serra foi o candidato que mais criticou as ideias da adversária petista, usando frases do tipo: "Dilma, você fica tão ligada para trás, o espelho retrovisor é tão grande, às vezes maior que o para-brisas, que não vê o que seu governo fez".

Embora tenha surpreendido em alguns momentos por fazer críticas mais duras aos seus adversários, Marina Silva mostrou-se incomodada com a quantidade de acusações trocadas entre os candidatos do PT e PSDB. "Fiquei um pouco preocupada. Começa-se um ensaio aqui de quase um pugilato. Acho que temos de ir aos fatos que interessam ao Brasil.", disse.

A candidata concentrou sua fala, em boa parte do tempo, na realização da reforma política, citando o assunto em cinco momentos diferentes. Marina questionou, inclusive, seus dois adversários sobre a medida. Meio ambiente, assunto em destaque nas falas da candidata do PV ao longo de suas campanhas foi citado em apenas um momento.

Programas para inclusão social e expansão da banda larga no Brasil ganharam atenção a partir de perguntas da petista Dilma para Marina sobre sua posição em relação aos programas do Governo Lula em ambas as áreas.

Temas sem destaque

Saúde e transporte foram dois temas pouco abordados pelos presidenciáveis durante as duas horas de duração do evento. A candidata petista comentou sobre o assunto durante sua resposta ao gerente geral de notícias do UOL, Rodrigo Flores, ao ser questionada sobre sua saúde. Marina Silva falou sobre saúde em suas considerações finais. O tema "segurança" não foi discutido entre os candidatos.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Alckmin e Mercadante polarizam debate;tucano evita Rusomanno


Com a presença apenas de candidatos com mais de 10% nas intenções de voto, o primeiro debate Folha/UOL de postulantes ao governo de São Paulo viu nesta terça-feira (14) a polarização entre o líder nas pesquisas de intenção de voto, Geraldo Alckmin (PSDB), e o segundo colocado, Aloizio Mercadante (PT). Celso Russomanno (PP) se esforçou para elevar o tom contra o tucano, mas a maioria das suas críticas não foram respondidas diretamente pelo ex-governador.



As principais críticas do tucano foram direcionadas ao governo federal e ao PT. Alckmin admitiu que o salário dos policiais “não é o ideal” e que quer ampliar cortes de impostos feitos durante as gestões do PSDB no Estado, que iniciaram em 1994 com Mario Covas. Apenas em seus comentários finais, o tucano se esforçou claramente “para dar uma palavra de apoio” ao presidenciável José Serra, que está atrás da petista Dilma Rousseff nas pesquisas de intenção de voto.

Mercadante criticou Alckmin e Serra por suas gestões nas áreas da educação, transportes e segurança pública. Atrás nas pesquisas, o petista voltou a se associar a Celso Russomanno (PP) para atacar. Prometeu dobrar a capacidade da companhia de trens paulista em dois anos, disse que quer rever os contratos de pedágios no Estado e repetiu que, se eleito, deve ser avaliado pelo sucesso ou não dos alunos da rede pública.

Em seu papel de provocador, Russomanno ironizou Alckmin, que se esforçou para ignorá-lo ao longo de todo o debate. O tucano ameaçou sair do sério apenas quando o pepista acusou o governo paulista de maquiar dados de segurança pública. “Tem que ter responsabilidade”, disse o ex-governador, que, fora das câmaras, demonstrou despreocupação enquanto o candidato do PP o acusava.

Alckmin mirou o setor aeroportuário e a legislação tributária para atingir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal cabo eleitoral de Mercadante. Disse também que seu principal rival não faz nada além de criticar a gestão paulista, até março comandada pelo presidenciável Serra. “Ele [Mercadante] só sabe falar mal, não tem solução, não tem resposta para nada”, alfinetou o tucano.

Mercadante ironizou Alckmin ao se referir à implosão do principal presídio de São Paulo durante sua gestão, entre 2001 e 2006: “Ele diz que o Carandiru agora está só em filme. Mas esse filme está em cartaz em todo o interior de São Paulo”, afirmou. O petista acusou também a “fixação privatista” do PSDB no governo.

Quando Alckmin criticou o Palácio do Planalto por não viabilizar investimentos para o Expresso Aeroporto entre a capital paulista e o aeroporto de Guarulhos, Mercadante subiu o tom: “Ele não assume responsabilidades. Ou vai para as costas do Lula ou é para o setor privado”.

Aos comentários do petista, Alckmin foi mais atencioso. Ao rebater comentários de Mercadante sobre a atual gestão, disse: “A saúde não é prioridade do PT. E a cidade de São Paulo, onde o PT governou, não construiu um hospital. Nós do PSDB construímos 30 hospitais”, disse. “O PT, que tem dinheiro federal, diminui sua participação nos investimentos em saúde.”

Russomanno repete "dobradinha" com Mercadante para atacar Alckmin
Ainda sobre o governo federal, Alckmin disse: “Nem o terceiro terminal foi feito em Cumbica. Em Viracopos não tem nem pátio de estacionamento. Não tem plano executivo. E vocês ficaram oito anos”, apontou o tucano. Mercadante rebateu com dados oficiais do Palácio do Planalto. Russomanno assistiu.

Questão de apoio
Em seus comentários finais, Alckmin dedicou quase 30 segundos a "uma palavra de apoio ao Serra". Entremeou elogios ao presidenciável e críticas ao PT. "É muito fácil falar mal. Queremos falar do futuro, de esperança", disse, ao listar “decisões equivocadas” dos petistas desde a redemocratização do Brasil. Antes disso, o tucano raramente citou Serra.

Mercadante tentou colar sua imagem na de Lula, mas não na de Dilma Rousseff (PT), que lidera as pesquisas de intenção de voto para o Palácio do Planalto. Estendeu-se em comentários sobre a presidenciável apenas quando questionado sobre se a chance de Alckmin vencer no primeiro turno não seria um fracasso para ele, já que a petista apresenta desempenho melhor nas pesquisas. “Essa é uma boa pergunta. É um sinal de que vocês estão reconhecendo já o sucesso dela”, ironizou.



Apesar de ter o apoio de Lula, Mercadante disse que falta suporte da imprensa para discutir a disputa pelo governo de São Paulo. Ele afirmou que o PT “é um partido de reta de chegada”, o que deixaria em aberto o enfrentamento com Alckmin em 3 de outubro. “A maioria dos eleitores não sabe em quem vai votar para governador”, disse.


Debate inédito
O debate promovido pelo jornal Folha de S.Paulo e o portal UOL foi realizado no Tuca, teatro da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), com transmissão ao vivo pelo UOL.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira (13), o candidato do PSDB lidera a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, com 54% das intenções de voto, contra 16% do petista e 11% de Russomanno.