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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Governo deixará herança maldita para seu sucessor


Próximo presidente vai receber
dívida bruta de 64,4% do PIB


A dívida do setor público que o governo do presidente Lula deixará para o sucessor, de 64,4% do Produto Interno Bruto (PIB), maior valor em dez anos, representa a consolidação de uma política de gastos excessivos. A avaliação é dos deputados Duarte Nogueira (SP) e Luiz Carlos Hauly (PR). A dívida bruta, segundo projeções, subiu de R$ 1,2 trilhão para R$ 2,2 trilhões.

O excessivo gasto com custeio, o aumento no número de funcionários, a não regulamentação da Reforma da Previdência, e a utilização de manobras contábeis destinadas a esconder o aumento do endividamento contribuem para o crescimento da dívida bruta – importante indicador da saúde fiscal do País.

Duarte Nogueira acredita ser a comprovação do "desleixo das contas públicas" por parte do governo federal. "O governo deixa para seu sucessor uma bomba de efeito retardado. Isso na contramão do que, inclusive, recebeu da gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso", lamenta.

O deputado destaca a falta de investimento em infraestrutura, logística e saneamento. "Por um lado, o governo gasta mais do que arrecada. Na outra ponta, ele aumenta a dívida pública, a taxa de juros e os compromissos para gerações futuras. E o pior, maquiando os números e escondendo a verdade da opinião pública", condena.

A herança a ser recebida pelo próximo presidente, a verdadeira herança maldita, que é o crescimento da dívida bruta, é vista com preocupação pelo mercado financeiro.

Economista por formação, Luiz Carlos Hauly afirma ser temerária a administração da dívida pública brasileira, com claro prejuízo para a população. "O prejuízo será para o povo brasileiro, principalmente, em relação à saúde e segurança", critica. Segundo ele, para reduzir a dívida, o próximo governo vai ter que administrar com prudência e responsabilidade, "pois é possível fazer importantes mudanças e economizar bastante".

Numa forma de tentar contornar os efeitos nocivos do gasto descontrolado, o governo anunciou um corte de R$ 10 bilhões no orçamento, o segundo depois do o contingenciamento de R$ 21 bilhões do Orçamento. De acordo com a jornalista Miriam Leitão, o corte representa uma gota de água "num oceano de gastança".

Segundo ela, no governo petista, o único ano em que houve ajuste fiscal foi 2003. De lá para cá, teve um excessivo aumento nos gastos com custeio e o uso de "truques contábeis para esconder o aumento do endividamento".

Em entrevista à Rádio CBN, a pré-candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT), não explicou porque nunca apoiou as políticas que garantiram a estabilidade da moeda, como o controle de gastos. Dilma considerou a proposta de reduzir o déficit público como rudimentar, causando desconforto com a equipe econômica do próprio governo.


Fonte: Agência Tucana

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