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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Soltaram o Serra



O primeiro debate Folha/UOL mostrou uma importante mudança na estratégia do tucano José Serra (e de seus assessores) no embate direto contra a petista Dilma Rousseff.

Em desvantagem crescente em relação a Dilma, Serra não perdeu oportunidades de ir ao ataque. Deve estar latejando em sua cabeça os apenas três pontos percentuais que faltam (segundo o Datafolha) para que Dilma vença a parada em primeiro turno.

Até mesmo quando o tema em questão não tinha nada a ver com esses assuntos, o tucano fez questão de levantar o mensalão, os aloprados da campanha de 2006, os dossiês contra o PSDB e o "chefe da quadrilha, José Dirceu".

Disse ainda que, "no torneio do quanto pior, melhor, o PT ganha de goleada".

Foi uma referência direta ao fato de, no passado, os petistas terem se posicionando contra todas as grandes mudanças que colocaram o Brasil em um novo patamar (o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal, entre outras).

Em determinado momento, a verde Marina Silva foi obrigada a pontuar que Serra estaria ensaiando "um quase pugilato". Não adiantou.

Serra continuou a atacar o "toma lá dá cá" em que teria se tornado a política sob Lula e o "loteamento de cargos em todas as esferas". E frisou: "Não passo a mão na cabeça de quem transgrediu". Uma referência à ausência de punição, dentro do PT, dos envolvidos em escândalos.

O debate mostrou que a vida está ficando difícil para Serra. E, daqui até as eleições, tende a piorar à medida que os dias forem avançando e trazendo uma nova onda de crescimento.

No primeiro trimestre do ano, o Brasil cresceu a taxas chinesas. Entre abril e junho, houve praticamente uma estagnação. Neste momento, a economia mostra novos sinais de vigor, que devem se acentuar até o primeiro turno, em 3 de outubro.

Economia não é tudo. Mas ela deve ser determinante nessa campanha, marcada por uma forte distribuição de renda nos últimos anos.

Neste cenário, Serra faz bem em sair da toca e em repisar o leque de escândalos do governo Lula.

Afinal, a economia melhorou. Já a política e a transparência dos negócios público-privados seguem ruins como sempre.

Por Fernando Canzian

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